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Validade Baseada nas Relações com Medidas Externas

Bruno Damásio

maio 9, 2021

A validade baseada nas relações com medidas externas é uma das cinco fontes de validade dos testes (AERA, APA & NCME, 2014).

Um instrumento apresenta este tipo de validade quando as associações do seu escore, com os escores de outros instrumentos, são encontradas na direção e magnitude teóricas ou empiricamente esperadas.

Segundo os critérios da AERA, APA e NCME (2014), as evidências de validade baseada nas relações com medidas externas podem ser categorizadas como:

Validade convergente

Para testar esta validade são utilizadas duas medidas diferentes, cujos construtos avaliados são teoricamente relacionados. Espera-se que os escores do instrumento analisado apresentem relações em direção e magnitude, teórica e empiricamente esperadas com outras variáveis distintas, mas correlatas na medida. Por exemplo, sabe-se que autoestima está positivamente correlacionada com felicidade. Assim, empiricamente, espera que os escores de uma medida de autoestima se correlacione positivamente com os escores de felicidade.

Validade discriminante

Um instrumento apresenta validade discriminante quando os escores obtidos não se relacionam a variáveis que, de acordo com proposições teóricas, não devem estar correlacionadas.

É importante que sejam escolhidos construtos nos quais exista clareza sobre a falta de associação entre varáveis para caso seja encontrado um resultado divergente, não exista duvida se o problema é teórico ou dos instrumentos. Por exemplo, se teoricamente não existe associação entre habilidades sociais e raciocínio lógico-matemático, os escores obtidos em um teste de habilidades sociais e de raciocínio lógico-matemático deve ser 0 ou muito próximo a isso.

Validade de critério

A vaidade de critério tem como principal foco investigar o impacto dos escores obtidos com outras medidas fortemente relacionadas. Este tipo de validade se subdivide em:

Validade concorrente: investiga o quanto um instrumento e associa com outro que mensure o mesmo construto. Para esse fim é importante:

1) ter certeza de que ambos instrumentos tenham uma perspectiva teórica semelhante. Caso contrario, é possível que isso reflita numa baixa associação nos escores das medidas.

2) escolher uma medida padrão-ouro para que concorra com o instrumento a ser avaliado. Considerando que essas medidas apresentam diversas evidências de validade, uma relação significativa de alta magnitude entre ambos instrumentos, fornecerá evidencias de que o instrumento que está sendo validado avalia o construto proposto.

Validade preditiva: investiga se os escores obtidos por meio do instrumento analisado impactam o desempenho dos participantes em outros testes ou na apresentação de determinados comportamentos em um momento futuro.

Para isso, é necessário realizar estudos com, ao menos, dois momentos de coleta de dados diferentes de modo a avaliar se o construto pode predizer o comportamento (ou construto). Por exemplo, se a atenção concentrada é uma variável preditora de acidentes de trânsito, espera-se que motoristas com menores níveis de atenção concentrada se envolvam mais em acidentes de trânsito ao longo de 24 meses.

Como testar empiricamente a validade baseadas nas relações com medidas externas?

A testagem da validade convergente através de correlações é amplamente utilizada na psicologia e aceita na Psicologia. Entretanto, é importante você saber que essa técnica é limitada já que não pressupõe direcionalidade das variáveis. Por isso não pode definir a rede monológica de um construto (rede de relações que o construto estabelece com outros construtos; Cronbach & Meehl, 1955). É recomendado usar análises de MEE, para testar a validade convergente, uma vez que essa técnica permite determinar relações direcionais entre variáveis dependentes e independentes.

Embora analises de correlações tenha utilidade limitada para validade convergente, esta técnica pode ser utilizada para testar a validade concorrente e discriminante. Isso porque, na validade concorrente se avalia o mesmo construto mensurado por dois instrumentos distintos e na discriminante não existem associações esperadas, de modo que não se procura direcionalidade.

Como testar empiricamente a validade baseadas nas relações com medidas externas?

Quais valores esperamos obter para atestar a validade baseada nas relações com medidas externas?

Para validade convergente, espera-se relações moderadas entre as variáveis (e.g., 0,30 a 0,70).

Para validade concorrente, espera-se correlações altas entre as variáveis (> 0,70).

Para validade discriminante, espera-se que correlações fracas ou estatisticamente não significativas entre as variáveis (< 0,30).

Se você gostou dessa postagem ou se tem alguma dúvida, deixe seu comentário! Vai ser ótimo te ajudar!

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Referencias:
American Educational Research Association, American Psychological Association, & National Council on Measurement in Education. (2014). Standards for educational and psychological testing. Washington, DC: American Educational Research Association.

Cronbach, L. J., & Meehl, P. E. (1955). Construct validity in psychological tests. Psychological Bulletin, 52(4), 281–302. https://doi.org/10.1037/h0040957

Bruno Figueiredo Damásio

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometria e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 5000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais.

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Bruno Figueiredo Damásio

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

 

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometria e Métodos Quantitativos.

 

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 5000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais. Atualmente, me dedico a formação de novos pesquisadores, através da Psicometria Online Academy. Minha missão é ampliar a formação em Psicometria no Brasil e lhe auxiliar a conquistar os seus objetivos profissionais.

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