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Vantagens da TRI sobre a Teoria Clássica dos Testes

Ao tratar da análise e construção de testes nas esferas de avaliação educacional e psicológica, duas metodologias dominantes emergem: a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e a Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Enquanto a TCT tem suas raízes na teoria tradicional de testes e ainda é prevalente em muitos ambientes educacionais, a TRI surgiu como uma alternativa poderosa, oferecendo uma série de vantagens. Vamos explorar algumas vantagens da TRI em relação à TCT e perguntas que a TRI podem te ajudar a responder.

O que é a Teoria de Resposta ao Item (TRI)?

Essencialmente, a TRI investiga a relação entre um traço latente (ou habilidade) do indivíduo e a probabilidade de uma resposta específica a um item de teste. Em vez de apenas examinar as pontuações gerais dos testes, a TRI vai mais fundo, analisando respostas individuais a itens para compreender as características dos itens de teste e as habilidades dos respondentes.

Conceitos Fundamentais na TRI

Em post anterior já abordamos em detalhes os conceitos e os principais modelos da Teoria de Resposta ao Item. Vamos aqui recordá-los antes de apontar as vantagens da TRI.

Traço Latente: Refere-se à característica ou habilidade não observada que um teste pretende medir, como habilidade matemática, proficiência linguística ou qualquer outro traço cognitivo ou não cognitivo.

Curva Característica do Item (CCI): Esta representação gráfica mostra a probabilidade de uma resposta particular a um item com base no nível do traço latente. Ela oferece insights sobre a dificuldade e discriminação do item.

Parâmetros: Os itens na TRI são geralmente descritos por um conjunto de parâmetros, muitas vezes incluindo:

Parâmetro de Dificuldade (b): Indica o nível do traço latente onde um indivíduo tem 50% de chance de acertar o item.

Parâmetro de Discriminação (a): Mostra o quão bem um item diferencia entre indivíduos com diferentes níveis do traço latente.

Parâmetro Acerto ao acaso (c): Representa a chance de acertar o item pelo que popularmente chamamos de chute.

Erros aleatórios (d): também denominado como desatenção, são os erros em algumas questões por distratores externos.

Vantagens da TRI sobre a Teoria Clássica dos Testes

Como vimos, a TRI amplia ainda mais as avaliações que se fazem dos itens, nesse sentido podemos destacar alguns pontos:

Precisão e Avaliação Individualizada: A TRI permite testes personalizados, onde os itens do teste podem ser escolhidos com base na habilidade do indivíduo, resultando em estimativas mais precisas de seu nível de traço.

Discriminação dos itens: A TRI oferece uma análise mais detalhada sobre a capacidade de um item em discriminar entre indivíduos com diferentes níveis de habilidade, enquanto na TCT, essa discriminação é frequentemente inferida de correlações item-total.

Aprimoramento da Equidade do Teste: Por meio da checagem da Diferença de Funcionamento dos Itens (DIF) podemos avaliar em que medida, pessoas com o mesmo nível de traço latente apresentam probabilidade diferente de endossar um determinado item.

Detectar e corrigir DIF em itens de teste permite que os avaliadores criem avaliações que são mais justas para todos os grupos de participantes.

Algumas perguntas que a TRI responde

Para qual grupo de sujeitos os itens do instrumento funcionam melhor ou pior?

Qual é o item mais fácil e mais difícil do meu teste?

Qual é o item tem o maior poder de discriminação dos participantes?

Qual é o item que tem maior probabilidade de ser acertado ao acaso?

O padrão de resposta da escala Likert está adequado?

Onde a TRI é Aplicada?

Além das configurações educacionais, as aplicações da TRI são múltiplas. Desde sistemas de teste adaptativos informatizados (TAI) que personalizam questões em tempo real com base na habilidade de quem faz o teste, até medidas de qualidade de vida relacionadas à saúde na pesquisa médica.

Além de ser aplicada no campo da psicometria para determinar traços de personalidade, os princípios da TRI encontram ampla aplicabilidade.

Embora a TRI tenha inúmeras forças, não está isenta de desafios. Implementar a TRI requer amostras de tamanho considerável para estimativa precisa de parâmetros. Além disso, os modelos podem se tornar matematicamente complexos, necessitando de software especializado e expertise.

Conclusão

A Teoria de Resposta ao Item, com suas bases probabilísticas, oferece uma lente refinada para examinar as habilidades dos candidatos aos testes e os atributos dos itens de teste. Sua capacidade de fornecer insights detalhados sobre o desempenho individual do item e adaptabilidade torna-a uma ferramenta valiosa no arsenal de pesquisadores e educadores.

Esperamos que este post tenha ajudado você a entender melhor esses conceitos e como aplicá-los na prática.

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BRUNO FIGUEIREDO DAMÁSIO

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) eEditor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometri e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 3000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais. Atualmente, me dedico a formação de novos pesquisadores, através da Psicometria Online Academy. Minha missão é ampliar a formação em Psicometria no Brasil e lhe auxiliar a conquistar os seus objetivos profissionais.

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