--- title: "Um guia completo sobre a PEDro: Physiotherapy Evidence Database" url: https://www.blog.psicometriaonline.com.br/um-guia-completo-sobre-a-pedro-physiotherapy-evidence-database canonical: https://www.blog.psicometriaonline.com.br/um-guia-completo-sobre-a-pedro-physiotherapy-evidence-database language: pt-BR published: 2025-06-05T14:26:56.000Z updated: 2026-03-30T13:49:12.324Z modified: 2026-03-30T13:49:12.324Z author: "Alex França" categories: ["Revisões da literatura"] tags: ["bases de dados"] description: "Conheça a Physiotherapy Evidence Database (PEDro), base com estudos clínicos avaliados e recursos gratuitos para pesquisadores." source: Blog Psicometria Online --- # Um guia completo sobre a PEDro: Physiotherapy Evidence Database > Se você é profissional ou estudante da área da saúde e busca fundamentar sua prática em evidências científicas, este post é para você. Nele, falaremos sobre a Physiotherapy Evidence Database (PEDro), uma ferramenta essencial para a prática baseada em evidências na fisioterapia. Primeiramente, exp... Se você é profissional ou estudante da área da saúde e busca fundamentar sua prática em evidências científicas, este post é para você. Nele, falaremos sobre a **Physiotherapy Evidence Database (PEDro)**, uma ferramenta essencial para a prática baseada em evidências na fisioterapia. Primeiramente, explicaremos o que é a base de dados PEDro e como ela surgiu. Em seguida, mostraremos como fazer buscas eficientes na plataforma. Depois, abordaremos a Escala PEDro e seu uso na avaliação da qualidade metodológica de estudos. Por fim, apresentaremos os critérios utilizados para selecionar os estudos incluídos na base. ## O que é a Physiotherapy Evidence Database (PEDro)? A *Physiotherapy Evidence Database* (PEDro) foi criada em 1999 por fisioterapeutas do *Centre for Evidence-Based Physiotherapy* da Universidade de Sydney, a fim de apoiar a prática clínica baseada em evidências. Atualmente, a *Musculoskeletal Health Sydney* gerencia a [PEDro](http://www.pedro.org.au). A PEDro oferece acesso gratuito a uma vasta coleção de estudos sobre intervenções fisioterapêuticas. Com aproximadamente 19.000 registros, incluindo ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e diretrizes clínicas, mais de 80 países usam a plataforma. São mais de 4.300 buscas diárias, o que demonstra sua relevância internacional. Além disso, a base se destaca por empregar a Escala PEDro na avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos, oferecendo assim uma filtragem robusta para quem busca evidências confiáveis. ![logo da Physiotherapy Evidence Database. ](/uploads/2023-11_physiotherapy-evidence-database-pedro.jpg) ## Como realizar buscas na Physiotherapy Evidence Database? A *Physiotherapy Evidence Database* oferece duas formas principais de busca, a saber, a simples (*simple search*) e a avançada (*advanced search*). Contudo, ambas estão disponíveis apenas em inglês, o que é importante considerar antes de iniciar sua pesquisa. A busca simples é bastante direta: você insere um ou mais termos em um único campo. Desse modo, ela é ideal para quando se busca algo mais geral ou quando se tem pouco tempo. Por outro lado, a busca avançada possui mais detalhes, oferecendo filtros por tipo de intervenção, tipo de estudo, área anatômica, subdisciplina e outros critérios. Por exemplo, ao selecionar a opção “simple search” no site da PEDro, o usuário encontra um campo para inserir termos específicos. O sistema retorna artigos que contenham todos os termos inseridos, tornando assim a busca mais precisa. Para quem está começando, há diversos tutoriais disponíveis. Moseley et al. (2020) destacam que a PEDro oferece vídeos explicativos, inclusive em português, disponíveis em seu canal no YouTube. Esses vídeos ensinam desde a formulação de perguntas clínicas até a realização de buscas complexas. ## O que é a Escala PEDro? A **Escala PEDro** (Figura 1) é uma ferramenta desenvolvida a fim de avaliar a qualidade metodológica de ensaios clínicos randomizados. Criada pelo *Institute for Musculoskeletal Health* da Universidade de Sydney, essa escala foi inicialmente voltada à fisioterapia, mas rapidamente ganhou espaço em outras áreas da saúde. ![](/uploads/2023-11_image.png) *Figura 1. Escala PEDro.* Ela apresenta boas propriedades psicométricas, tanto na versão original quanto na tradução brasileira. Além disso, ela permite diferenciar estudos de alta e baixa qualidade metodológica. A escala consiste de 11 critérios. No entanto, consideramos apenas os critérios 2 a 11 na pontuação final, que varia de 0 a 10 pontos. O primeiro critério se relaciona à [validade externa](/o-que-e-validade-externa) e, por isso, não o incluímos no escore total. ## Critérios da Escala PEDro Veja a seguir os 11 critérios da Escala PEDro: 1. **Elegibilidade**: o estudo deve descrever a origem dos participantes e os critérios usados para inclusão no ensaio. 2. **Randomização**: os participantes devem ter sido designados aleatoriamente aos grupos, com relato adequado deste procedimento. 3. **Alocação secreta**: o membro da equipe de pesquisa que fez a designação aleatória não tem conhecimento sobre a alocação dos participantes. 4. **Grupos semelhantes no início**: os grupos devem ser comparáveis em pelo menos uma medida de gravidade da condição e uma medida de desfecho principal, antes da intervenção. 5. **Cegamento dos participantes**: os participantes não devem saber a qual grupo pertencem. 6. **Cegamento dos terapeutas**: os profissionais que aplicam a intervenção não devem saber a que grupo o participante pertence. 7. **Cegamento dos avaliadores**: quem avalia os desfechos também deve estar cego à alocação dos participantes. 8. **Medidas de desfecho obtidas de mais de 85% dos participantes**: deve-se coletar dados da maioria dos participantes iniciais. 9. **Análise por intenção de tratar**: devemos analisar os dados conforme a designação inicial dos participantes aos grupos, mesmo que alguns não tenham concluído a intervenção. 10. **Comparação estatística entre grupos**: o estudo deve apresentar comparações estatísticas claras entre os grupos experimentais e controle. 11. **Medidas de variabilidade e estimativas de efeito**: deve-se reportar [medidas de dispersão](/medidas-de-dispersao-amplitude-a-variancia-e-o-desvio-padrao) (e.g., desvio-padrão ou [intervalo de confiança](/o-que-e-intervalo-de-confianca)) e de [tamanho de efeito](/o-que-e-tamanho-de-efeito) (e.g., diferenças médias ou razões de risco). **Importante:** apenas informações explicitamente descritas no artigo são consideradas. Em caso de dúvidas na interpretação, o critério é marcado como “não”. Por exemplo, se o estudo afirma que é “duplo-cego”, mas não especifica quem foi cegado, ele não receberá ponto para os itens 5, 6 e 7. Esse rigor na aplicação da escala assegura que apenas estudos metodologicamente sólidos obtenham pontuação elevada, promovendo uma prática clínica baseada em evidências de qualidade. ## Critérios para inclusão de estudos na Physiotherapy Evidence Database A *Physiotherapy Evidence Database* inclui três tipos de estudos, a saber, ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e diretrizes clínicas. Em seguida, apresentamos os rigorosos critérios para inclusão de cada tipo de estudo. ### Inclusão de ensaios clínicos randomizados na Physiotherapy Evidence Database Dvemos incluir um ensaio clínico randomizado na PEDro apenas se ele atender aos seguintes critérios (Shiwa et al., 2011): 1. Comparar ao menos duas intervenções terapêuticas. 2. Incluir pelo menos uma intervenção aplicável à fisioterapia. 3. Utilizar participantes humanos representativos da população clínica. 4. Fazer designação aleatória (ou com a intenção de ser aleatória). 5. Estar publicado integralmente em periódico revisado por pares. Além disso, três revisores independentes avaliam todos os ensaios clínicos randomizados utilizando a Escala PEDro, a fim de julgar a qualidade metodológica desses estudos. **Veja também:** [**O que é ensaio clínico randomizado?**](/o-que-e-ensaio-clinico-randomizado) ![Physiotherapy Evidence Database e banner do post sobre ensaios clínicos randomizados.](/uploads/2024-11_ensaio-clinico-randomizado.jpg) ### Inclusão de revisões sistemáticas na Physiotherapy Evidence Database Por outro lado, a inclusão de revisões sistemáticas deve atender aos seguintes critérios: 1. Ser revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados. 2. Conter seção de Método e incluir ao menos um estudo que atenda aos critérios de inclusão de ensaios clínicos randomizados da PEDro. ### Inclusão de diretrizes clínicas na Physiotherapy Evidence Database Por fim, as diretrizes para práticas clínicas devem atender aos seis critérios a seguir: 1. **Origem institucional**: devem ser desenvolvidas por associações especializadas como, por exemplo, sociedades profissionais, órgãos governamentais ou instituições de saúde. Em contrapartida, diretrizes feitas por indivíduos sem vínculo institucional não são aceitas. 2. **Disponibilidade pública**: o conteúdo precisa estar acessível ao público. 3. **Base científica atualizada**: a fundamentação deve vir de artigos revisados por pares ou de uma revisão sistemática publicada nos quatro anos anteriores. 4. **Inclusão de ensaio clínico randomizado**: é necessário conter ao menos um ensaio clínico randomizado relevante à fisioterapia. 5. **Recomendações estruturadas**: devem apresentar orientações claras e fundamentadas, a fim de auxiliar na tomada de decisão clínica. 6. **Relevância fisioterapêutica**: pelo menos uma recomendação precisa abordar uma intervenção da fisioterapia, quer atual ou potencial. Esses critérios garantem que apenas conteúdos de alta qualidade entrem para a PEDro, mantendo assim a confiabilidade da base. ## Referências Herbert, R., Moseley, A., & Sherrington, C. (1998). PEDro: A database of randomised controlled trials in physiotherapy. *Health Information Management*, *28*(4), 186–188. https://doi.org/10.1177/183335839902800410 Moseley, A., Elkins, R., Van der Wees, P., & Pinheiro, M. (2020). Using research to guide practice: The Physiotherapy Evidence Database (PEDro). *Brazilian Journal of Physical Therapy*, *24*(5), 384–391. https://doi.org/10.1016/j.bjpt.2019.11.002 Shiwa, S. R., Costa, L. O. P., Moser, A. D. L., Aguiar, I. C., & Oliveira, L. V. F. (2011). PEDro: A base de dados de evidências em fisioterapia. *Fisioterapia em Movimento*, *24*(3), 523–533. https://doi.org/10.1590/S0103-51502011000300017 ## Como citar este post > **Como citar este artigo:** França, A. (2025, 5 de junho). Um guia completo sobre a pedro: Physiotherapy evidence database. *Blog Psicometria Online*. https://www.blog.psicometriaonline.com.br/um-guia-completo-sobre-a-pedro-physiotherapy-evidence-database