O seu Blog de Psicometria

Tenha acesso à nossa enciclopédia virtual de conhecimento em Psicometria e Análise de Dados

Junte-se a mais de 22.300 membros e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

Compartilhe nas Redes Sociais

O que é um gráfico de dispersão?

Marcos Lima

jan 26, 2026

Neste post, aprenderemos sobre o gráfico de dispersão, uma representação visual amplamente utilizada em análises quantitativas de dados. Primeiramente, explicaremos o que é esse gráfico, para que ele serve e quando utilizá-lo. Em seguida, detalharemos sua anatomia básica. Depois disso, discutiremos como interpretá-lo. Por fim, exploraremos variações, representações derivadas e aplicações práticas do gráfico de dispersão.

O que é, para que serve e quando usar um gráfico de dispersão?

O gráfico de dispersão — também chamado de diagrama de dispersão — é uma representação visual que mostra a relação entre duas variáveis quantitativas. Por exemplo, a Figura 1 ilustra uma relação hipotética entre o tempo de caminhada e a distância percorrida durante as compras.

exemplo de diagrama de dispersão.
Figura 1. Exemplo de gráfico de dispersão (dados de Field, 2017).

Esse tipo de gráfico serve para investigar associações, padrões e tendências entre variáveis. Em particular, pesquisadores o utilizam para avaliar correlação estatística e para examinar se relações entre variáveis diferem em função de categorias, como grupos experimentais.

Portanto, você deve usar esse gráfico sempre que quiser explorar a relação entre duas variáveis numéricas. Ele é útil tanto para comunicar resultados quanto para análise exploratória, etapa na qual ajuda a verificar pressupostos de modelos estatísticos.

Além disso, o gráfico de dispersão facilita a identificação de outliers, erros de tabulação e possíveis relações não lineares entre variáveis.

banner da Quantidados.

Anatomia de um gráfico de dispersão

A fim de entendermos a anatomia de um gráfico de dispersão, considere os dados hipotéticos de 10 participantes apresentados na Tabela 1, que descrevem tempo de caminhada (em minutos) e distância percorrida (em quilômetros).

ParticipanteTempo (min)Distância (km)
1112,25
21402,91
31603,15
41834,86
52457,76
6150,26
7300,64
8372,19
9653,20
101035,81
Tabela 1. Dados hipotéticos (Field, 2017).

O gráfico de dispersão é construído sobre um plano cartesiano. Nesse plano, o eixo horizontal (eixo x ou abscissa) representa uma variável, enquanto o eixo vertical (eixo y ou ordenada), perpendicular ao primeiro, representa outra (Figura 2).

o plano cartesiano.
Figura 2. Ilustração do plano cartesiano.

Embora frequentemente os eixos comecem em zero, isso não é obrigatório. Por exemplo, em dados como temperatura ou saldo bancário, valores negativos podem ser necessários.

Cada ponto do gráfico corresponde a um par de valores (xi, yi), no qual o índice i identifica uma observação do banco de dados. Assim, cada ponto pode representar um participante, uma cidade ou qualquer outra unidade de análise.

Na Figura 3, plotamos os 10 participantes da Tabela 1. O Participante 5 é destacado para ilustrar que suas coordenadas no gráfico (245 min, 7,76 km) correspondem exatamente aos valores da tabela.

exemplo de gráfico de dispersão com ponto destacado.
Figura 3. Gráfico de dispersão com um ponto destacado.

Como interpretar um gráfico de dispersão?

Para interpretarmos um gráfico de dispersão, devemos observar o padrão formado pelos pontos. Primeiramente, avalie a força da relação. Pontos próximos de uma linha imaginária indicam associações mais fortes, enquanto pontos muito espalhados sugerem relações fracas.

Em seguida, avaliamos a direção da relação. Em primeiro lugar, as relações negativas apresentam pontos que tendem a se organizar do canto superior esquerdo para o inferior direito. Por outro lado, as relações positivas mostram o padrão oposto.

A Figura 4 ilustra essas ideias ao ortogonalizar força da relação (nas linhas) e direção da relação (nas colunas).

exemplos de diferentes gráficos de dispersão.
Figura 4. Padrões de gráficos de dispersão ortogonalizando força da relação (nas linhas) e direção da relação (nas colunas).

Assim, a interpretação de um gráfico de dispersão envolve compreender simultaneamente quão forte é a associação e em que direção ela ocorre.

banner do canal da Psicometria Online no YouTue.

O que um gráfico de dispersão permite visualizar?

O gráfico de dispersão permite visualizar relações entre variáveis de forma intuitiva. Dessa maneira, ele facilita a avaliação preliminar da linearidade entre variáveis, um pressuposto central em diversos modelos estatísticos.

Por exemplo, a Figura 5 adiciona uma reta de regressão (linha de melhor ajuste), que resume a relação linear média entre as variáveis.

gráfico de dispersão com linha de melhor ajuste.
Figura 5. Gráfico de dispersão com reta de melhor ajuste.

Além disso, o gráfico de dispersão é útil para inspecionar outliers bivariados, isto é, observações com combinações atípicas de valores. A Figura 6 ilustra esse uso, destacando o outlier bivariado na cor vermelha.

gráfico de dispersão ilustrando um outlier bivariado.
Figura 6. Gráfico de dispersão com destaque de outlier bivariado.

Eis um terceiro exemplo: o gráfico também é útil para sugerir (ou ilustrar) possíveis agrupamentos existentes nos dados. Por exemplo, os dados da Figura 7 não estão rotulados.

gráfico de dispersão com dados não rotulados.
Figura 7. Exemplo de dados não rotulados.

Após aplicação de uma técnica chamada de análise de cluster, podemos obter um resultado similar ao da Figura 8, na qual as cores dos pontos identificam diferentes clusters.

gráfico de dispersão com dados rotulados após clusterização.
Figura 8. Dados rotulados após clusterização. Os Xs vermelhos representam os centróides de cada cluster.

Os resultados sugerem que há um grupo de estudantes que estuda pouco, mas ainda assim obtém boas notas (pontos amarelos), enquanto outro grupo precisa estudar mais para atingir o mesmo desempenho (pontos azuis). Por fim, um terceiro grupo, mesmo estudando mais que os demais grupos, obtém um desempenho inferior (pontos roxos).

Assim, os padrões ilustrados pelo gráfico de dispersão, junto à clusterização, podem gerar hipóteses sobre diferentes perfis, como estudantes com estratégias distintas de estudo e desempenho.

Variações do gráfico de dispersão

Gráfico de dispersão agrupado

Uma variação comum é o gráfico de dispersão agrupado, no qual os pontos são diferenciados por cores ou símbolos conforme uma variável categórica. Por exemplo, poderíamos distinguir participantes por sexo ou grupo experimental.

A Figura 9 ilustra essa customização, com observações do Grupo A (laranja) e do Grupo B (azul).

diagrama de dispersão agrupado.
Figura 9. Gráfico de dispersão agrupado.

Embora as Variáveis 1 e 2 apresentem relações positivas nos dois grupos, pode ser relevante testar se essas relações diferem entre os grupos. Isso pode ser examinado formalmente por meio de análises de moderação, e ilustrado por meio de gráfico de dispersão.

A Figura 10 adiciona retas de regressão específicas por grupo, bem como faixas de confiança, que representam o conjunto de intervalos de confiança da média estimada para a Variável 2 ao longo do domínio da Variável 1.

scatterplot agrupado com retas de melhor ajuste por grupo.
Figura 10. Gráfico de dispersão com regressões por grupo e faixas de confiança.

Em síntese, os resultados da Figura 10 sugerem que as relações entre as Variáveis 1 e 2 são similares entre os dois grupos, diferindo apenas em termos de seus interceptos, mas não de suas inclinações.

Gráfico de dispersão 3-D

Uma segunda variante é o gráfico de dispersão 3-D. Como o próprio nome sugere, essa representação incorpora uma terceira variável quantitativa, geralmente representada pela profundidade, no eixo z.

Por exemplo, a Figura 11 mostra a relação entre três variáveis. O plano de regressão, ilustrado na cor rosa, é uma generalização da reta de regressão para o caso de uma regressão linear múltipla, e indica os valores previstos de Y em função de diferentes valores observados de X1 e X2.

diagrama de dispersão 3-D.
Figura 11. Gráfico de dispersão 3-D com plano de regressão.

Matriz de gráficos de dispersão

Por fim, outra variação comum é a matriz de gráficos de dispersão, que exibe relações bivariadas entre múltiplos pares de variáveis simultaneamente.

Por exemplo, na Figura 12, observamos gráficos bivariados fora da diagonal principal e distribuições univariadas na diagonal, com agrupamento por espécies de flores (representadas por diferentes cores).

matriz de gráficos de dispersão.
Figura 12. Matriz de gráficos de dispersão.

Essa representação é útil para sumarizarmos as distribuições univariadas e bivariadas das variáveis, o que nos fornece informações preliminares acerca dos padrões das medidas coletadas.

Representações visuais derivadas do gráfico de dispersão

Diversas representações gráficas derivam diretamente do gráfico de dispersão. Por exemplo, o gráfico Q-Q (ou Q-Q plot; Figura 13) é uma representação amplamente utilizada para avaliar a aderência dos dados a distribuições teóricas, como a distribuição normal.

variações do gráfico de dispersão, exemplo 1: Q-Q plot.
Figura 13. Gráfico Q-Q (Q-Q plot).

Outro exemplo é o gráfico de Bland–Altman (Figura 14), usado para avaliar a concordância e os vieses entre dois métodos de mensuração de um mesmo construto teórico.

variações do gráfico de dispersão, exemplo 1: Bland-Altman.
Figura 14. Gráfico de Bland–Altman (Bland–Altman plot).

Na literatura de metanálise, uma representação derivada do gráfico de dispersão é o gráfico de funil (Figura 15), que é usado para investigar vieses de publicação em sínteses metanalíticas.

variações do gráfico de dispersão, exemplo 1: diagrama de funil.
Figura 15. Gráfico de funil (funnel plot).

Por fim, o gráfico de bolhas (ou bubble plot) incorpora uma terceira variável quantitativa, mas sem com isso recorrer a uma terceira dimensão. Ao invés disso, o gráfico de bolhas expressa essa terceira variável por meio do tamanho relativo dos pontos, aqui denominados de bolhas (Figura 16).

variações do gráfico de dispersão, exemplo 1: bubble plot.
Figura 16. Gráfico de bolhas (bubble plot).

Os exemplos anteriores não são exaustivos. Eles indicam apenas que o gráfico de dispersão é fundamental na análise quantitativa de dados, pois ele serve como base para inúmeras visualizações analíticas.

Conclusão

Em síntese, o gráfico de dispersão é uma ferramenta fundamental para explorar relações entre variáveis quantitativas. Ao longo deste post, vimos sua definição, anatomia, interpretação e variações. Assim, dominar os usos, a interpretação e a criação desse tipo de gráfico ampliam substancialmente a qualidade de suas análises quantitativas de dados.

banner da Psicometria Online Academy.

Referências

Crawley, M. J. (2013). Graphics. In M. J. Crawley (Ed.), The R book (2nd, pp. 189–243). John Wiley & Sons, Ltd. https://doi.org/10.1002/9781118448908

Field, A. (2017). Discovering statistics using IBM SPSS Statistics (5th ed.). SAGE.

Field, A., Miles, J., & Field, Z. (2012). Exploring data with graphs. In A. Field, J. Miles, & Z. Field (Eds.), Discovering statistics using R (pp. 116–165). SAGE.

Gu, F., & Kingston, N. M. (2022). Scatterplot. In B. B. Frey (Ed.), The SAGE encyclopedia of research design (2nd, pp. 1466–1470). SAGE.

Como citar este post

Lima, M. (2026, 26 de janeiro). O que é um gráfico de dispersão? Blog Psicometria Online. https://blog.psicometriaonline.com.br/o-que-e-um-grafico-de-dispersao

Bruno Figueiredo Damásio

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometria e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 5000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais.

Em 2020, saí da UFRJ para montar a minha formação, a Psicometria Online Academy.

Meu foco é que você se torne um(a) pesquisador(a) de excelência. Clique aqui para conhecer a Academy.

Compartilhe sua opinião sobre este post

0 0 Votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Posts sugeridos

O que é o teste de Wald-Wolfowitz?

Teste de esfericidade de Mauchly: o que é e para que serve?

O que é um mapa de calor de correlação?

Conteúdo

Mais lidos

Análise de moderação: como identificar potenciais variáveis moderadoras?

Modelagem por equações estruturais no R: conceitos e aplicações

O que são variáveis ​​independentes e dependentes?

O que é correlação de Pearson?

Postados recentemente

Qual é a diferença entre explicação e predição?

O que é o teste de esfericidade de Bartlett?

AFE não é horóscopo: o fim do “olhômetro” na Análise Fatorial

O que é o teste de Wald-Wolfowitz?

Deseja se tornar completamente autônomo e independente na análise dos seus dados?

Junte-se a mais de 22.300 membros e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

Categorias