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Estudo de coorte: o que é e quais são suas principais características?

Marcos Lima

jul 25, 2025

Neste post, falaremos sobre o estudo de coorte, um tipo de delineamento de pesquisa que você precisa conhecer. Primeiramente, vamos esclarecer o que significa o termo coorte e como ele se aplica em estudos epidemiológicos. Em seguida, explicaremos o que caracteriza o estudo de coorte, destacando suas vantagens, limitações e tipos mais comuns. Por fim, ao longo do post, ofereceremos exemplos práticos para ilustrar a aplicação do estudo de coorte.

Qual é o significado de coorte?

Em estatística e epidemiologia, coorte refere-se a um grupo de indivíduos que compartilham uma ou mais características em comum, geralmente relacionada ao tempo. Por exemplo, aqueles nascidos de 1981 a 1996 são denominados de Geração Y, enquanto aqueles nascidos de 1997 a 2012 são denominados de Geração Z.

Além disso, o termo também pode designar grupos que passaram por uma experiência semelhante. Por exemplo, indivíduos que receberam uma determinada vacina em uma mesma faixa etária, gestantes acompanhadas desde o início da gravidez ou adultos que praticam exercícios aeróbicos regularmente (Figura 1).

estudo de coorte sobre exercícios físicos aeróbicos.
Figura 1. Ilustração de uma coorte de adultos que praticam exercícios aeróbicos regularmente.

Em metodologia científica, um aspecto importante consiste em comparar coortes distintas, semelhantes em todos os aspectos possíveis, exceto naquele que define a exposição de interesse. Por exemplo, pode-se comparar adultos que praticam exercícios aeróbicos regularmente com adultos da mesma faixa etária que não mantêm essa prática.

Esses agrupamentos formam diferentes tipos de coorte, com base em uma exposição ou evento compartilhado (e.g., praticar ou não exercícios aeróbicos). Assim, o conceito de coorte está diretamente associado ao acompanhamento de grupos ao longo do tempo, permitindo observar como diferentes exposições influenciam os desfechos — como o desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica, a ocorrência de óbitos ou a progressão de condições clínicas específicas.

O que é estudo de coorte?

Antes de mais nada, é importante entender que o estudo de coorte é um delineamento observacional e longitudinal. Ele é observacional porque os pesquisadores não intervêm diretamente na realidade estudada. Ao mesmo tempo, é longitudinal porque acompanha os participantes ao longo do tempo, buscando verificar se uma determinada exposição ou evento influencia os desfechos de interesse.

Em síntese, os pesquisadores acompanham coortes de indivíduos, observando o surgimento de desfechos específicos. Essas coortes costumam ser formadas por dois grupos: participantes expostos e não expostos a um fator de interesse — como, por exemplo, o consumo de cigarros.

Com o passar do tempo, compara-se a incidência de um determinado evento entre os grupos. Por exemplo, o desenvolvimento de uma doença, como o câncer de pulmão. A partir dessa comparação, é possível estimar medidas como o risco relativo e avaliar a relação temporal entre exposição e desfecho.

Por exemplo, imagine um estudo que acompanha fumantes e não fumantes durante 10 anos, com o objetivo de verificar a incidência de câncer de pulmão. Essa abordagem permite avaliar se o fator “fumar” está de fato associado a um aumento no risco da doença, e em que magnitude.

estudo de coorte e a relação entre consumo de cigarros e câncer de pulmão.
Figura 2. O consumo de cigarro é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão? Podemos responder tal pergunta de pesquisa por meio de um estudo de coorte.

Quais são as principais características do estudo de coorte?

O estudo de coorte apresenta um conjunto de características que o tornam particularmente útil para investigar relações entre exposições e desfechos ao longo do tempo.

Em primeiro lugar, trata-se de um delineamento observacional e longitudinal. Isso significa que os pesquisadores não manipulam as variáveis, apenas observam os grupos durante um período determinado, monitorando a ocorrência de eventos de interesse.

Além disso, os estudos de coorte permitem acompanhar grupos de indivíduos a partir de uma exposição inicial — como o uso de medicamentos, a prática de atividade física ou a presença de um fator de risco ambiental — para verificar se e como essa exposição influencia desfechos específicos, como o surgimento de doenças ou a progressão de sintomas.

Outra característica importante é a possibilidade de avaliar múltiplos desfechos para uma mesma exposição. Por exemplo, ao acompanhar pessoas com obesidade, é possível investigar não apenas o risco de diabetes tipo 2, mas também o de hipertensão e doenças cardiovasculares.

Vale destacar ainda que o estudo de coorte é um dos poucos delineamentos que preserva a relação temporal entre causa e efeito. Como identificamos a exposição antes da ocorrência dos desfechos, ele oferece uma base sólida postularmos hipóteses causais.

Por fim, embora o custo e a duração possam ser elevados, especialmente nos estudos prospectivos, os benefícios em termos de qualidade dos dados e robustez analítica costumam compensar esse investimento.

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Quais são os dois principais tipos de estudo de coorte?

Os dois tipos principais de estudo de coorte são o prospectivo e o retrospectivo. Cada um possui suas peculiaridades e aplicações.

No estudo de coorte prospectivo, os pesquisadores começam selecionando uma amostra de participantes. Em seguida, mensuram características iniciais que podem influenciar os desfechos futuros. A partir desse ponto, os participantes são acompanhados ao longo do tempo, com avaliações periódicas dos desfechos de interesse.

Por exemplo, um estudo pode acompanhar pacientes com hipertensão recém-diagnosticada durante cinco anos para investigar o efeito de diferentes níveis de atividade física sobre o risco de desenvolver doença cardiovascular. Em síntese, aqui temos:

  • Coorte: pacientes com hipertensão recém-diagnosticada.
  • Preditor: níveis de atividade física.
  • Desfecho: risco de desenvolver doença cardiovascular.

Já no estudo de coorte retrospectivo, os pesquisadores utilizam registros já existentes para analisar o passado. Em outras palavras, quando o protocolo de pesquisa inicia, os dados já foram coletados por terceiros.

Por exemplo, ao revisar prontuários médicos de pacientes tratados com determinado medicamento há 10 anos, é possível verificar quem desenvolveu efeitos adversos. Em síntese, temos:

  • Coorte: pacientes que receberam o medicamento há 10 anos.
  • Preditor: exposição ao medicamento.
  • Desfecho: ocorrência de efeitos adversos.

Embora tenhamos citado apenas dois dos principais tipos de estudo de coorte, eles não são os únicos. Por exemplo, Kazdin (2016, pp. 70–76) descreve outros tipos de estudos de coorte, incluindo o desenho de coorte de nascimento, desenho de múltiplas coortes e desenho longitudinal acelerado com múltiplas coortes.

Veja também: O que é ensaio clínico randomizado?

Quais são as vantagens e as desvantagens do estudo de coorte?

O estudo de coorte oferece diversas vantagens. Primeiramente, ele permite estimar a incidência de eventos, algo impossível em estudos transversais. A incidência consiste na proporção de casos de um desfecho (e.g., câncer de pulmão) em um dado intervalo de tempo. Para que possamos ter esse intervalo, portanto, precisamos de um estudo longitudinal, como ocorre no estudo de coorte.

Além disso, o estudo de coorte estabelece a ordem temporal entre exposição e desfecho, fortalecendo hipóteses causais que poderão ser melhor testadas em estudos subsequentes.

Outra vantagem importante é a análise de múltiplos desfechos para uma única exposição. Isso amplia o alcance da investigação científica, otimizando recursos de um estudo de coorte.

Por outro lado, o estudo de coorte pode ser caro e demorado, especialmente os estudos prospectivos. Além disso, ele está sujeito à perda de seguimento — quando os participantes morrem por motivos diversos aos do tema da pesquisa, perdem o interesse na pesquisa ou mudam suas informações de contato sem aviso prévio —, o que pode comprometer a validade dos resultados.

Apesar desses desafios, seu poder explicativo torna esse delineamento essencial em diversas áreas de conhecimento.

Conclusão

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Referências

Hulley, S. B., Cummings, S. R., Browner, W. S., Grady, D. G., & Newman, T. B. (2013). Designing clinical research (4th ed.). Lippincott Williams & Williams.

Kazdin, A. E. (2016). Research design in clinical psychology (5th ed.). Pearson.

Como citar este post

Lima, M. (2025, 25 de julho). Estudo de coorte: O que é e quais são suas principais características? Blog Psicometria Online. https://www.blog.psicometriaonline.com.br/estudo-de-coorte

Bruno Figueiredo Damásio

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Editor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometria e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 5000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais.

Em 2020, saí da UFRJ para montar a minha formação, a Psicometria Online Academy.

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